O Cristianismo sobrevive após mais de 2000 anos sob os mais diversos nomes: Ortodoxos, Católicos, Luteranos, Anglicanos, Protestantes, Pentecostais. Este livro nos remete diretamente as palavras de Cristo, sem contexto, incluindo os textos apócrifos. Optei por não incluir os apócrifos da linha agnóstica, isto devido a distância que estes textos tem do conteúdo canônico, ao final de cada trecho do evangelho menciono entre parênteses o evangelho fonte.

 

Ao fazer isto pude imaginar os primeiros cristãos também selecionando o que viriam a ser os canônicos e então entendi que eles buscaram preservar a mensagem simples de Cristo, assim como ele falava as multidões. Talvez alguns dos canônicos agnósticos sejam fidedignos, porém não alteram a mensagem básica de amor a Deus e ao próximo que Jesus passou. Se a Igreja Católica em sua história  envolveu-se em política, guerras e perseguições com certeza não foi devido a ausência dos textos agnósticos mas sim por erros dos pobres homens pecadores que somos todos nós.

 

Enquanto compunha o livro não pude deixar de pensar nas palavras de João no Apocalipse: “Declaro a todo aquele que escutar as palavras da profecia deste livro: se alguém acrescentar algo, Deus acrescentará sobre ele as pragas escritas neste livro.  E se alguém tirar algo das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a parte da árvore da vida e da cidade santa, que estão escritas neste livro.”

 

Mas não poderia desistir de algo que entendo como sendo uma ferramenta a mais na divulgação da palavra de Jesus, com foco naqueles que ainda não beberam diretamente na fonte de suas palavras ou ainda naqueles que têm dificuldade de aceitar o Jesus divino, então lhes apresento Jesus personagem histórico e seu discurso.

 

Outros personagens também passaram por este planeta com uma mensagem que segue frutificando até hoje: Confúcio, Buda, Sócrates antes de Cristo e mais recentemente Karl Marx e Freud.

 

Todos estes apresentaram um conjunto de idéias que você ao ler pode aceitar ou rejeitar. Cristo difere pois este lhe convida a uma experiência pessoal com Ele. Cristo não aponta este é o caminho, Ele diz: Eu sou o caminho! E nos diz que estará sempre conosco. A relação aqui não é com um conjunto de idéias mas de uma relação de amor como temos com outra pessoa, mas neste caso diretamente com o Pai. Voltaremos depois a este raciocínio.

 

O livro nos convida a buscar um M.D.C (Minimo Denominador Comum) para o Cristianismo. Um Cristianismo simplificado, sem dogmas e no final convida a principal corrente Cristã, a Igreja Católica a dar um grande passo no sentido da união dos Cristãos, pregada por Cristo: Que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que eles estejam em nós, e o mundo creia que tu me enviaste.

 

Este é um trabalho que visa tirar do contexto (descontextualizar) as falas de Cristo, incluindo as passagens apócrifas. O Cristianismo, com dois mil anos de existência continua hoje transformando pessoas, porém o que chamamos de Cristianismo foi moldado pela ação dos apóstolos após a morte de Jesus e principalmente pelas espístolas  de Paulo e Pedro.

 

Inevitável dizer que o Cristianismo já nasceu dividido. Em um primeiro momento se discutia se ele devia ou não ser levado aos gentios (não judeus). Algumas correntes aceitavam Jesus porem não sua divindade, enquanto uns  tinham uma visão de que Jesus pregava um total ascetismo, outros tinham visão diametralmente oposta de vida em comunidade; ou ainda uns entendiam necessária uma completa abstinência sexual, outros o inverso e por aí vai.

 

Paulo e Pedro conseguiram construir uma certa unidade, que se manteve até o segundo concílio de Nicéia em 787. Não que todas as divergencias tivessem sido superadas porém havia um credo comum, e as divergências eram relevadas, ou melhor relegadas a coisa de menor importância, pois não passam disto mesmo.

 

Dividi este trabalho em duas partes, uma primeira composta pelas falas de Cristo tomadas de todos os evangelhos, duplicidades foram cortadas prevalecendo a primeira versão na classica ordem dos evangelhos (Matheus, Marcos, Lucas e Joao). Os textos estão colocados em uma tentativa de ordem cronológica. Foram propositadamente descontextualizados, são frases soltas que muitas de tão conhecidas ja nos evocam a que situação se referem, outras não, nos dando novas interpretaçõs para frases que colocadas no contexto tem seu sentido limitado à situação descrita pelo narrador.

 

Já dizia o velho ditado – “Quem conta um conto aumenta um ponto.” – embutido no contexto ja vai um pouco de interpretação, como este trabalho busca trazer a tona Jesus, por ele mesmo, sem interpretações, optei por retirar completamente o contexto, salvo raras exceções. Vale dizer que esta não é uma abordagem original, várias pessoas ja retiraram por exemplo as frases de Cristo na cruz do contexto e as deixaram isoladas para meditação. Segui a mesma linha.

 

Na segunda parte procurarei propor uma espécie de Cristianismo simplificado. É celebre a reduçao de toda a Lei aos dois mandamentos: Amar a Deus acima de todas coisas e ao próximo como a si mesmo, literalmente: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas “

 

Muita gente baseada nesta redução raciocina da seguinte forma: “Creio em Deus e não faço mal a ninguem então já sou um Cristão.” Permita-me discordar. Tentaremos interpretar pelas palavras e ações de Cristo o que seria Amar a Deus ao próximo.

 

Finalizo a segunda parte e o livro propondo à igreja católica, na pessoa do Papa Bento XVI um gesto concreto na direção de promover esta unidade Cristã.